Há três anos eu coloquei no ar a primeira versão do meu site de portfólio: um site estático em Vue.js e Nuxt.js, feito para divulgar meus serviços e projetos e receber contatos (anunciei aqui). Ele cumpria o papel, mas qualquer mudança, por menor que fosse, exigia mexer no código.

Há quase um ano, eu o refiz do zero, agora 100% personalizável por um painel administrativo. E troquei de linguagem: escolhi PHP com Laravel justamente para me aprofundar no back-end (anunciei aqui). De lá para cá, a forma como eu trabalho mudou completamente. E o que mais me surpreendeu não foi o quanto a IA passou a fazer, mas o quanto eu precisei aprender para usá-la bem.

Como a nova versão foi feita

Escrevi praticamente todo o código do site, do painel administrativo às páginas públicas. Com o painel, passei a adicionar, editar e remover qualquer conteúdo sem tocar no código, e o site ganhou blog, formulário de contato e três idiomas.

A IA já fazia parte do meu dia a dia. Ela gerava arquivos e componentes, sugeria trechos de código e me ajudava a entender um erro ou a lembrar de uma sintaxe. Ajudava bastante, mas não entregava nada pronto: era eu quem estruturava o projeto, definia como os dados se relacionavam, juntava as partes, publicava e resolvia o que quebrava no caminho.

Ou seja: para usar a IA naquela época, ainda era preciso dominar o desenvolvimento de ponta a ponta.

O que mudou em um ano

Os modelos evoluíram muito. Hoje eles conseguem criar sistemas completos, com qualidade alta e em muito pouco tempo: telas, banco de dados, integrações e testes. O que antes levava semanas agora fica pronto em dias.

Com isso, a pergunta mudou. Antes era "consigo construir isso?", e hoje a resposta quase sempre é sim. A pergunta que importa passou a ser outra: isso deveria existir? Para quem? Como vai se pagar?

O código ficou mais barato. Entender o negócio, não

É nesse ponto que muita gente se perde. Vender, monetizar e distribuir um produto é o que a maioria aponta como o grande desafio, e com razão. Um sistema bem feito que ninguém usa, ou que custa mais do que gera, continua sendo um problema.

Esse entendimento não sai de um prompt. Ele vem da experiência: trabalhar com clientes reais, entender como uma empresa funciona por dentro, acompanhar processos comerciais, financeiros e operacionais, perceber o que faz uma operação travar e o que faz ela crescer.

No meu caso, a formação em Administração e os anos trabalhando no Brasil, em Portugal e na Irlanda, com empresas e clientes de áreas bem diferentes, pesam tanto quanto o código. É isso que me ajuda a decidir o que construir antes de decidir como construir.

Como eu aproveitei esses avanços

Em vez de usar a IA só para escrever código mais rápido, usei para tirar do papel coisas que antes eu não teria tempo de fazer.

No próprio site

  • Contatos que viram oportunidades sozinhos: quem preenche um formulário, comenta no Instagram ou marca uma reunião vira automaticamente uma oportunidade no meu CRM, com a origem e o serviço identificados.
  • Uma página para cada serviço, com formulário próprio e agenda online para marcar uma conversa direto pelo site.
  • Proteção contra spam, SEO nos três idiomas e chamadas personalizadas em cada post do blog.

Em produtos novos

Construí o TrackVagas, um SaaS que organiza a busca de emprego: ele busca vagas todo dia, ordena pela aderência ao currículo e mostra quais candidaturas dão retorno. Ele foi do zero ao ar em 16 dias e continua evoluindo com o feedback de quem usa. Contei a história completa neste post.

De escrever o código a arquitetar soluções com IA

Em todos esses projetos, o meu papel mudou. Passei a atuar como arquiteto de soluções: defino o problema, desenho a solução, divido em entregas pequenas, reviso o que a IA produz, testo e decido o que vai para produção.

A IA executa muito bem, mas precisa de direção, de contexto e de alguém que saiba dizer "isso está errado" antes que o problema chegue ao usuário. Essa parte continua sendo trabalho de gente.

A armadilha de reclamar que a IA faz tudo

Seria fácil olhar para isso e concluir que o desenvolvedor perdeu espaço. Comigo aconteceu o contrário: para arquitetar boas soluções, eu precisei entender mais, não menos. Neste último ano, aprofundei meus conhecimentos em:

  • Infraestrutura: hospedagem, domínio, DNS, e-mail, CDN e banco de dados gerenciado, mantendo o custo perto de zero até o produto provar que merece investimento.
  • Engenharia de software: arquitetura, revisão de código, entregas pequenas e decisões registradas, para o projeto continuar organizado mesmo crescendo rápido.
  • Testes automatizados: testes que rodam a cada mudança e um teste de regressão para cada bug corrigido, porque código gerado rápido precisa ser verificado rápido.
  • Escalabilidade e custo: limites de uso, cotas de APIs, custo por usuário e o momento certo de mudar de plano.
  • Segurança e privacidade: validação de webhooks, proteção contra robôs, controle de acesso e cuidado com dados pessoais, de acordo com a LGPD.
  • Integrações e pagamentos: CRM, agenda, redes sociais e cobrança recorrente, incluindo os casos difíceis, como cobrança em dobro e estornos.
  • Deploy e operação: publicação automática, migrações de banco seguras e acompanhamento do que acontece em produção.

Isso vale além das tecnologias que eu já usava. Hoje tenho confiança para construir projetos em outras stacks, como React, Next.js e React Native, porque o que sustenta um bom sistema são os mesmos fundamentos, qualquer que seja a linguagem ou o framework.

A IA não me tirou a necessidade de saber. Ela me tirou o tempo gasto digitando e me deu tempo para aprender o que realmente importa.

O que continua valendo

Os fundamentos continuam sendo a base. Quem entende como um sistema funciona pede melhor, revisa melhor e corrige mais rápido. E quem entende como um negócio funciona constrói a coisa certa.

É a combinação das duas coisas que faz a diferença hoje: tecnologia e negócio, juntos.

Precisa disso na sua empresa?

Se a sua empresa ainda depende de processos manuais, de planilhas que ninguém aguenta mais ou de sistemas que não conversam entre si, hoje dá para mudar isso mais rápido e gastando menos do que há um ano.

Eu ajudo empresas a encontrar onde está o gargalo, automatizar processos e construir o software certo, do diagnóstico ao sistema no ar. Se quiser conversar sobre isso, me chama por aqui ou marque uma conversa direto pelo site.